Um olhar traçado e compreendido pela psique da inspirada Magna Laa, que expira Petite Kybele.


Uma boneca de instante, posta em porcelana, trapos e seu pequeno diamante, que desenha seu paralelo entre seus planos fantasioso e absoluto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Sobre a Mediocridade:

“Ceux de qui la conduite offre le plus `a rire
Sont toujours sur autri les premiers `a medire”.

Moliére.

[Válida Reflexão: ]

“Desprovidos de asas e de penacho, os caractéres mediocres são incapazes de voar até um píncaro, ou de lutar contra um rebanho. Sua vida é uma perpétua cumplicidade `a vida alheia. São hostes mercenárias do primeiro homem firme que saiba colocá-la sob o seu jugo.

São refratárias a todo gesto digno; são hostis a isto. Vivem dos outros e para os outros: Carecem de luz, de arrojo, de fogo, de emoção. Tudo, neles, é emprestado".

I – A MALEDICÊNCIA

O maledicente, covarde entre todos os envenenadores, está certo de sua impunidade: por isso, é despresível. Não afirma: insinua; chega até a desmentir imputações que ninguém faz; contando com a irresponsabilidade de fazê-las dessa forma. Mente com espontaneidade, como respira. Sabe selecionar o que vai convergir com a detração. Diz, distraidamente, todo o mal de que não está seguro, e cala, com prudencia, todo o bem que sabe. Não respeita as virtudes intimas, nem os segredos do lar, nada: injeta a gota de peçonha que assoma como uma erupção aos seus lábios irritados, até que, de toda boca feita em pústula, o interlocutor espera sair, em vez de lingua, um estilete.

Sem covardia, não há maledicência. Aquele que pode gritar, face a face, uma injúria, aquele que denuncia em voz, aquele que aceita os riscos dos seus dizeres não é maledicente. Para sê-lo, mister se faz que trema diante da idéia do castigo possível, e que se oculte sob o disfarce menos suspeito.

O hábito pode tornar-lhes fácil a malignidade zombadora, mas esta não se confunde com a ironia sagaz e justa. A ironia é a perfeição do engenho, uma convergência de intenção e sorriso, aguda na oportunidade, justa na medida; é um cronômetro, não anda muito, mas anda com precisão.

O mediocre ignora isso. É-lhe mais fácil ridicularizar uma ação sublime.”

II – A VAIDADE

“O vaidoso vive comparando-se com os que o rodeiam invejando toda excelência alheia, e carcomendo toda reputação que não pode igualar; o orgulhoso não se compara com os que julga inferiores, e põe seu olhar em tipos ideais de perfeição que estão muito alto, e inflamam o seu entusiasmo.

O orgulho, subsolo indispensável da dignidade, imprime aos homens certo belo gesto que as sombras censuram. Por isso, o babélico idioma dos vulgares emaranhou a significação do vocabulário, acabando por ignorar a gente se ele designa um vício ou uma virtude.
Tudo é relativo. Se há méritos, o orgulho é um direito: se não há, trata-se de vaidade."


O Homem Mediocre- José Ingenieros

1 comentários:

KImdaMagna disse...

...PRESERVAR A CIRCULAÇÃO CLANDESTINA DOS CONCEITOS, AJUDARÁ TALVEZ A EVITAR A ASFIXIA.

Permita que lhe sugira a leitura de :"Uma Teoria da Estupidez" http://kimang.blogspot.com/2009/04/uma-teoria-da-estupidez.html

Mediocridade e estupidez estão in love forever, rs,rs,rs.

"Incapazes de voar até um píncaro"
- touché-

xaxuaxo